
Para BrunoMensagem deOrion Quarta-feira, Maio 12, 2004
Aquela ligação logo pela manhã, lhe deixaria pensativo o resto do dia, sabia que teria uma decisão a ser tomada, novos rumores acabavam de chegar. Nunca estivera numa fase tão boa emocionalmente, financeiramente dava seus pulos, mas nunca se arrependera da decisão tomada de romper, agora naquele telefonema era chegado à hora de colher bom fruto, o reconhecimento de seu trabalho!
Mas uma outra ligação dias passados, também serviria para mostrar-lhe que era absolutamente livre, que havia sempre uma possibilidade de novos ajustes.
Em uma de suas andanças noturna, decidida meio que a contra-gosto, cair numa dessas baladas que rompem a aurora, seus amigos estavam em pares, e ele ali sozinho, mas foram tantos os convites e tão insistentes os convites, que acabara cedendo, sim iria!
Naquela festa, cheia de alegrias falsas e vãs, passaria horas observando o movimento ante aos seus olhos, mas estava tão bem consigo mesmo, que se contagiara com a música eletrônica, mas ainda assim estava fora da sintonia daquelas pessoas, então seus olhos percorriam a tudo e a todos, repentinamente seus olhos pairaram em uma certa pessoa que estava parecida como ele um peixe fora d'agua, então ficara observá-lo mais atentamente, vira que o outro também estava só, sabe-se lá quantas cervejas forma tomadas nesse tempo para criar coragem e chegar junto, sim ele era tímido, apesar de bem falante, e os vapores etílicos lhe dariam a coragem para chegar junto, ainda trazia consigo resquícios do passado quando lhe diziam isto ou aquilo sempre com a intenção de diminuir, malditas palavras que naquela hora vieram à mente dele.
Os sentidos alterados pelo álcool lhe deram confiança para prosseguir, e ciente que se a investidura não desse certo culparia a bendita cerveja e não a si próprio como fizera outras tantas vezes, abusando de sua altura que lhe era uma característica peculiar passou a olhar insistentemente, saindo de sua letargia alcoólica tomara coragem, e com seus passos trôpegos, sim, as pernas tremulavam tanta era a sua timidez, não sabia mais c fazer isso ou mesmo se lembrava de como agir nesses casos quando se tratava de pessoas fora do círculo de amizades.
Então se viu ali, trêmulo, embargado pela emoção ou pelo medo, não saberia definir., A voz quase num sussurro pergunta: olá tudo bem, podemos conversar... O outro não tão assustado não lhe recusara a palavra, se afastam da multidão procuram um local ermo, para conversar, e a Lua por testemunha iluminava tudo com sua claridade mágica.
Conversaram, trocaram olhares, ele pega nas mãos do outro, assutara-se com a ousadia, algo mais forte acontece, Ele não resistiria por muito mais tempo, sucumbira ante aqueles lábios carnudos e rosados elogiando -lhe a boca com um beijo, não caberia naquele momento palavras, até hoje, ainda fala daqueles lábios, do olhar tímido e invasivo, sim algo o atraíra naquele olhar naqueles lábios, sim ele estava bem, acendera um cigarro pensativo, turbilhões frenéticos, de idéias e pensamentos,
Seus amigos o chamam, ele se vai, mas antes lhe dou o numero do telefone móvel, mas uma sensação de deja vu paira no ar, mas sim correria o risco, um a mais ou a menos que diferença faria, isso não importava, arrependeria se não o tivesse feito, despediram-se.
Um dia não mais que um dia aparelho vibra, já não esperava ligação alguma, aprendera a não esperar nada, era apenas mais um, tão normal para ele, mas engano alguém perguntava do outro lado oi tudo bem, disse que retornaria, minha bateria acaba e não consigo o bendito numero, no outro dia recebo a mensagem via móvel oi meu e-mail é....@Hotmail.Com se você tiver MSN podemos conversar...
E as noites se passam entre conversas desabafos e carinho e aqueles lábios do outro lado da tela ainda a incomodar seu olhar querendo mais...
O mar, como tudo o mais - também as pessoas - , é o seu próprio escondido que à noite chega à superfície, procurando não se sabe o que é, talvez buscando apenas quem o escute e entenda... Lya Luft ainda em Mar de Dentro
Mensagem deOrion Segunda-feira, Maio 10, 2004![]()
Histórias do dia, temores da noite.
Em uma fase muito difícil, já adulta, comecei a dormir com
as venezianas abertas: quando a realidade reassumia formas e
cores lá fora, eu sabia que seria capaz de viver um dia mais.
Lya Luft, em Mar de Dentro
Fora um final de semana como tinha sido outros tantos depois que ele se foi,não fosse os pensamentos que lhe invadiram a alma,fora ao cinema, mas antes passara horas em uma livraria escolhendo algo para ler, já havia lido um outro livro de Lya Luft, Perdas e Ganhos, ficara fascinado pela obra da autora, então decidira por levar Mar de Dentro e mais um outro título que não vem ao caso
agora, estava feliz mesmo que o fim daquilo quem mal começara, mas terminava bem, sim seriam amigos, estava decidido.
Subira para praça de alimentação para tomar um café e esperar a hora de ir ao cinema, enquanto preparavam seu café passou a folhear o livro, uma frase chamara a sua atenção, fator decisivo para que o comprasse, tomava agora oseu café sem pressa saboreando cada gota daquele líquido reconfortante, uma sensação de plenitude há alguns dias já havia invadido o seu ser. Estava pleno de si, estava tão dono de si que já não se importava mais com aquela situação de estar sempre só, até lhe fazia bem. Acendera um cigarro e tirava de cada trago um prazer que lhe falava na alma!
Entre fumaças e baforadas começara ler sofregamente cada linha, sorvia como se fosse um café ou um trago de cigarro, se identificava mais uma vez em um personagem.
Sim, ali ele se via como um Lobo Solitário, mas não era triste, por vezes deixava um olhar fugidio escapa, parara para pensar em todos aqueles anos que passara junto, ainda sentia uma certa saudade, mas já não apertava com antes.
Viu que crescera, estava mais forte e seguro, dono de si, sabia que nada seria capaz de deixá-lo naquele estado que ficara, descobrira o amor próprio, mas era na noite que ele sentia os seus medos tomarem forma, soltava seus demônios.
O cigarro acabara, era hora de ir assistir ao o filme escolhido, sentia um mix de sensações, mas estava ciente que caminhava para um encontro dele com ele mesmo! Seria um duelo de forças tão antagônicas que talvez precisasse de uma ajuda, mas por enquanto se digladiariam sozinhos!
Não haveria nem F, nem M, nem ninguém, apenas ele e ele mesmo!
Seguiu rumo ao cinema ...